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Dormir até acordar

O despertador, para mim, foi por muitos anos o símbolo de vida medíocre e infeliz que vivia, não pelo fato de acordar cedo, mas pela obrigação de ter que levantar, mesmo quando meu corpo implorava por mais descanso.

A dor de ser acordado sem querer por um despertar me acompanhava desde a infância, me lembro quando precisava levantar super cedo para ir para a escola. Depois comecei a trabalhar e estudar a noite, meu tempo de sono passou a ser cada vez menor.

Na faculdade, que era longe de casa, chegava depois de meia noite, meu tempo de sono foi inferior a seis horas diárias, por anos. O despertador sempre foi meu companheiro de cabeceira, eu programava o horário que tinha que levantar e sabia que dormiria por pouquíssimas horas.

Quando ele despertava, me dava uma sensação péssima, eu teimava em levantar, precisava respirar fundo para buscar fôlego e encarar mais um dia ainda cansado. Foi com esse sentimento que percebi que precisava mudar minha vida, não é possível alguém ser feliz levantando pela manhã querendo voltar para cama.

Lutei muito para isso não ser uma rotina eterna na minha vida, persegui essa meta incansavelmente por anos, abri mão de coisas, mudei e moldei minha mente, me aproximei de pessoas que admiro, estudei, poupei, investi, acreditei em mim, paguei o preço

Agora posso dormir até acordar, posso escolher ir para cama tarde e acordar quando meu corpo pedir para levantar, sem a necessidade do bendito despertador.

Ir dormir sem a obrigação de levantar em um horário específico traz com esse acontecimento o verdadeiro sentimento de homem livre. É muito engraçado, parece papo de vagabundo, e pode até ser, foda-se! 

O bom de não depender de emprego, governo ou clientes é viver e pensar pelo seu próprio termo.

O maior legado da Independência FIRE é o domínio sobre o próprio tempo de vida.

Imagem por Monoar – Pixabay

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